A Internet Chega aos Médicos


Renato M.E. Sabbatini

Editor Científicorenato@sabbatini.com


Desde maio deste ano, a Internet, a maior rede de computadores do mundo (tem cerca de 4 milhões de computadores, e algo ao redor de 40 milhões de usuários) está aberta para qualquer pessoa que queira usá-la no Brasil. A Internet começou na década dos 70 como uma rede acadêmica, interligando atualmente quase todas as instituições de ensino e pesquisa existentes no mundo, mas tem gradativamente se aberto para o mundo não acadêmico. No Brasil, a Internet é coordenada pela Rede Nacional de Pesquisa (RNP), um órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia, com séde em Campinas.

No mundo desenvolvido, muitas instituições, médicos e outros profissio-nais de saúde estão utilizando intensamente a Internet para as mais variadas finalidades. Através dela, os médicos podem trocar informações sobre os pacientes (inclusive radiografias, eletrocardiogramas, etc.), consultar colegas mais experientes e localizar e ler bibliografia médica sobre qualquer assunto (uma das maiores bibliotecas médicas do mundo, situada em Washington, tem cerca de 50 milhões de artigos catalogados e informatizados, com suas referências disponíveis para pesquisa a partir de qualquer microcomputador ligado à Internet). Usando um programa chamado FTP, qualquer usuário da Internet pode copiar gratuitamente softwares médicos de domínio público, armazenados em vários computadores ao redor do mundo (inclusive na UNICAMP). Usando outro programa, chamado TELNET, é possível pesquisar bancos de dados localizados em outros computadores, como o registro completo do genoma humano pesquisado até hoje, ou comprar, via cartão de crédito internacional, qualquer coisa que se imaginar, de livros a acessórios para computadores. Tudo isso a um custo mensal de conexão extremamente acessível (algo em torno de 30 reais).

A Internet tem um potencial enorme para a Medicina. Através dela, poderemos finalmente romper nosso secular isolamento geográfico, cultural e científico, tanto internamente, quanto em relação ao exterior. Tenho certeza que os médicos brasileiros utilizarão maciçamente esse novo recurso de acesso à informação. Preparando-se para o futuro, a Rede Nacional de Pesquisa fundou recentemente um Grupo Temático em Medicina e Saúde, que tem sua séde no Núcleo de Informática Biomédica da UNICAMP e que é coordenado por mim.

Caro colega, torne-se um usuário da Internet. O novo mundo das comunicações eletrônicas abrirá as portas para um futuro fascinante e ini-maginável.


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