Padronizar ou Morrer


Renato M.E. Sabbatini

Editor Científicorenato@sabbatini.com
Revista Informédica, 2(8): 4, 1994.


Se olharmos em nossa volta, e tentarmos perceber o que existe de comum em quase todos os produtos que utilizamos no nosso dia-a-dia, não demorará muito para vermos que é a normatização. Desde os parafusos e a tomada do forno de micro-ondas, o diâmetro dos pneus do automóvel ou dos canos de água, até os códigos usados pelo computador onde estou escrevendo este texto, tudo é padronizado. Esse fenômeno é tão prevalente, que chega a passar desapercebido pela maioria das pessoas o fato de que a sociedade tecnológica e a indústria moderna não poderiam existir sem a padronização. Quanto mais moderna e eficiente, mais padronizada é uma sociedade (vejam os alemães, por exemplo, com seu avançado e praticamente universal sistema de normas, o famoso DIN - Deutsche Industrienormen).

Entretanto, no desenvolvimento da Informática Médica brasileira, estamos ignorando solenemente a necessidade vital de se estabelecer padrões de uso comum. Isso acontece por inúmeros motivos, desde econômicos até culturais, mas certamente não por falta de padrões. Estes já existem em grande quantidade, determinados por sociedades internacionais. Alguns deles são bastante óbvios, e têm o objetivo de compatibilizar e permitir a inteoperacionalidade de sistemas de diferentes fabricantes, como é o caso dos equipamentos de imagens médicas digitais. Para isso, o American College of Radiology, juntamente com uma associação nacional de fabricantes (NEMA), criaram o padrão ACR-NEMA. Para a "conversa" entre redes de computadores na área de saúde, existe o HL-7 (Health Level 7).

Tudo, literalmente tudo, pode e deve ser padronizado. Por exemplo: padrões de intercâmbio de dados entre laboratórios clínicos, formatos de registros médicos, nomenclatura de codificação e descrição de dados médicos, etc. Uma sociedade americana, a American Society for Testing of Materials (ASTM), tem um grupo que está normatizando tudo isso na Informática Médica. Quantos conhecem e usam, no Brasil ? Suspeito que são muito poucos.

Se você pretende se envolver em um projeto de informatização, mesmo que pequeno, recomendo fortemente que examine a questão dos padrões, antes. Creio que não se arrependerá. A revista Inform&eeacute;dica publicará, oportunamente, um artigo sobre o tema, contendo dicas úteis de como localizar e aproveitar as informações a respeito.


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