O Ensino de Informática Aplicada à Medicina

Roteiros Didáticos e Bibliografia Básica

Renato M.E. Sabbatini


Núcleo de Informática Biomédica da Universidade Estadual de Campinas
WWW: http://home.nib.unicamp.br/~sabbatin Email:renato@sabbatini.com.

Revista Informédica, 2 (8): 5-12, 1994.


Introdução

O ensino da Informática Médica é uma atividade curricular bastante recente e ainda de pequena disseminação no Brasil, no que pese o grande número de faculdades voltadas ao ensino de ciências de saúde, tanto em nível de graduação quanto em pós-graduação. Um das razões para este fato é o número insuficiente de docentes treinados e com uma boa cultura geral em Informática Médica. Ultimamente, diversos centros de ensino e pesquisa têm se dedicado a formar recursos humanos especializados nessa área, porém o seu número é pequeno, e a velocidade de produção de novos docentes, muito lenta (tipicamente, a formação universitária no Brasil se dá em nível de pós-graduação, através de estudos que levam a uma residência, mestrado ou doutorado). São poucas as iniciativas de formação de recursos humanos de forma mais rápida, como é o caso do Curso de Capacitação Docente de Informática em Saúde, promovido desde 1986 pelo Núcleo de Informática Biomédica e pela Disciplina de Informática Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas[7[. Outro motivo é a falta de bibliografia especializada que permita servir de base à construção indivi-dual do conhecimento necessário para exercer uma docência de bom nível.

Utilizando nossa experiência na docência de cursos introdutórios e avançados de Informática Médica, adquirida desde nossas primeiras atividades nessa área, em 1981[5,6], compilamos um roteiro para o docente, abrangendo os tópicos principais no ensino da Informática Médica. Os tópicos listados são suficientes, se tratados com um grau razoável de profundidade, para um curso introdutório em nível de pós-graduação. Por outro lado, os roteiros também podem ser usados para o ensino em nível de graduação ou de educaçào médica continuada, desde que sejam simplificados quanto aos detalhes mais técnicos.

A seqüência didá-tica de apresentação dos temas, por nós recomendada, segue um esquema conceitual derivado da forma como se interrelacionam as fontes de conhecimento e informação e os passos do processo de atenção médica[8]. Esta seqüência permite o claro posicionamento e compreensão das diversas áreas de aplicação (Fig. 1)


Figura 1: Processos e Informação em Medicina

A bibliografia básica para desenvolvimento dos temas pelo docente é o excelente livro sobre Informática Médica, por Shortliffe e Perrault (1990)[ 11], o qual pode ser complementado pelos artigos da revista M.D. Computing, publicação da American Association for Medical Informatics (AMIA), editada pela Springer-Verlag America; bem como pelos artigos da revista Informédica, e outras publicações nacionais que costumam tratar do tema[1-4,8-12].

Finalmente, é preciso notar que, devido à natureza altamente prática e aplicada da Informática Médica, as aulas teóricas introdutórias ministradas devem ser seguidas de demonstrações ou aulas práticas em um laboratório de Informática, utilizando programas que exemplifiquem as várias áreas de aplicação da Informática na Medicina. Para essa finalidade podem ser utilizados programas disponíveis no domínio público, como os que são distribuídos pelo Núcleo de Informática Biomédica da UNICAMP, ou o conjunto de programas didáticos especialmente desenvolvidos para esse fim, denominado MEDSOFT[5], e que estão disponíveis na UNICAMP para utilização para fins educacionais.


I. Introdução à Informática Médica

  1. O processo médico como disciplina de resolução de problemas. As etapas básicas do processo médico: coleta de dados, análise, decisão e ação. A natureza da informação em Medicina. Dados, informação e conhecimento. Operadores cognitivos. Decisão médica: interpretação, diagnóstico, prognóstico, conduta. Tipos de dados em Medicina: textuais, gráficos, sinais, imagens, outros. Tipos de dados quanto à natureza: categóricos, numéricos, lógicos, descritivos, códigos, etc. Os problemas de informatização da informação médica. O registro médico.
  2. O que é Informática Médica. Definição, campo de atuação, desenvolvimento histórico. Campos e áreas de aplicação da Informática na Medicina. As grandes áreas: clínico-científica, administrativa-financeira, sistêmica e operacional. Classificação das aplicações de acordo com a fase do processo médico, Classificação das aplicações de acordo com a tecnologia utilizada. Classificação as aplicações de acordo com o local e nível. Sistema multiaxial de classificação. Informática médica no Brasil e no mundo: uma visão geral (publicações, congressos, associações, etc.). A Informática Médica como profissão.

II. O Registro Médico Computadorizado

  1. O que é e para que serve o registro médico.
  2. Objetivos do registro médico (facilitar e documentar a atenção ao paciente, meio de comunicação entre provedores de atenção médica, assegurar continuidade da atenção médica a um paciente individual, prover registro legal/ético, prover informações para sistema administrativo/financeiro, apoio à pesquisa médica, apoio ao ensino médico, apoio ao controle de qualidade/auditoria médica.
  3. Natureza dos dados do registro médico. Processos de baixo nível (físicos-químicos) e de alto nível (sociais, sintomas, diagnósticos, psicológicos, etc.).. Tipos de informações coletadas: dados de identidade, dados civis, dados demográficos, ocupacionais, ambientais, familiares e econömicos. Antecedentes familiares e pessoais. Queixas e problemas. Riscos de saúde. Histórico de visitas e procedimentos. Sinais e sintomas. Exames laboratoriais e estudos diagnósticos especializados. Diagnósticos e prognósticos. Condutas e terapias, seguimento médico. Organização SOAP. Tipos de dados médicos: narrativos (soft) e formatados (hard). Exemplos: pressão arterial, história pregressa da moléstia atual (HPMA). Tipos de dados formatados: numéricos, textuais, lógicos, temporais, sinais, imagens e gráficos). Tipos de dados: escalares, ordinais e categóricos. Características dos dados médicos: incerteza, nebulosidade. Lógica "fuzzy" versus lógica booleana. Erro de medida. Sinonímia. Codificação em medicina: necessidade, vantagens, desvantagens. Tipos de códigos existentes. CID, SNOMED, READ, MESH, SNOMED. Interlíngua. Tentativas de unificação. Linguagen UMLS. Entrada em linguagem natural. Sistemas automáticos de reco-nhecimento e tradução.
  4. Fontes de dados médicos: paciente (subjetivos/objetivos), profissional de saúde (subjetivos/objetivos), instrumentos e processos (transcrição manual, aquisição automática), outros bancos de dados (externos). Exemplos.
  5. Problemas do registro médico tradicional: falta de sistematização, inacessibilidade de registros e de dados dentro dos registros, inconsistência de formato e de localização, ilegibilidade, falta de estruturação interna/categorização, perda de informação ou duplicidade de informação, impossibilidade de pesquisa longitudinal ou coletiva, passividade do registro (controle de completude, consistência, etc.), ocupa muito espaço.
  6. O que é o registro médico computadorizado. Evolução histórica, situação atual. Vantagens do registro médico computadorizado: acessibilidade da informação: imediata, remota, simultânea, acurada, atual, legível, rápida; sistematização: cronológica, hierárquica, por problemas; estruturação, categorização interna dos dados, imposição de formatos; controle de entrada, consistência, completude, diversidade e flexibilidade de exibição e relatório; permite pesquisa seletiva rápida, estatísticas, favorecido pela captação e aquisiçào automática de dados (anamnese automa-tizada, instrumentos com saída digital); compactação, ocupa pouco espaço, sistemas ativos: análise, avaliação, interpretação automáticas (exemplo RMR, Help)
  7. Formas de aquisição automática. Anamnese computadorizada. Sistemas laboratoriais. Sistemas de aquisição de sinais. Monitoração de pacientes. Sistemas de aquisição de imagens médicas. Aquisição automática do conhecimento (indução e dedução automática). Anamnese informatizada: vantagens e desvantagens. Histórico. Formas de utilização. Organizaçào de um questionário em forma de árvore. Utilização dos resultados de uma anamnese: armazenamento automático, relatório (impresso, em vídeo), prognóstico, cálculo de riscos de saúde. Aplicações específicas (campanhas de saúde pública, medicina ocupacional, programas de qualidade de vida, medicina preventiva, investigação médica). Aceitação por pacientes e médicos. Confiabilidade.
  8. Formas de representação e reportagem de dados médicos. Bancos de dados relacionais, hierárquicos e em redes. Redes semânticas. Hipertexto e hipermídia. Sistemas orientados a objetos.
  9. Sistemas de registro médico existentes. Tipos de registro: orientados à fonte, orientados ao tempo, orientados ao problema, orientados ao encontro
  10. Registro médico, segurança e confidencialidade. Vantagens e desvantagens do registro médico computadorizado. Sistemas de acesso (chaves de acesso, criptografia, anonimização, autorização progressiva). Redes e o problema do acesso fraudulento. Ética médica e computação.
  11. O futuro do registro médico computadorizado: sistemas multimídia (medical workstation), novas formas de entrada de dados (voz, linguagem, pena), ponto-de atenção (terminais de leito e portáteis), bancos de dados inteligentes, sistemas adaptativos, softbots. Novas formas de armazenamento: cartões inteligentes, discos ópticos. Integração de registros médicos. Papel da telemedicina.
  12. Técnicas de implementação do registro médico orientado ao problema (POMR). Arquivos de identificação, de problemas e de eventos médicos. Campos de informação e campos de indexação. Implementação física. Técnicas de implementaçào do registro médico orientado à fonte (SOMR). Técnicas de implementação do registro médico orientado ao tempo (TOMR). Inclusão de sinais e de imagens. Técnicas de implementação de sistemas inteligentes: sistemas ba-seados em regras, em probabilidades, em heurística, em redes neurais. Sistemas híbridos.

III. Processamento Digital de Sinais Biológicos

  1. O que é um sinal biológico. Exemplos. Tipos: elétricos e não elétricos. Estáticos e dinâmicos. Evolução da instrumentação biomédica para processamento de sinais biológicos. Papel e utilidade dos sinais biológicos no diagnóstico médico. Vantagens dos sistemas digitais.
  2. O canal de registro analógico: captador, transdutor, amplificador, exibidor. Características de operação. O polígrafo eletrônico analógico. Tipos de transdutores. O canal de registro digital. O sistema de conversão analógico-digital (A/D). Como é efetuada a digitalização (discretização) de um sinal. Amostragem no tempo. Freqüência de amostragem. Relação com a maior freqüência presente no sinal. Efeito sobre a fidelidade do sinal amostrado (exemplo do eletrocardiograma). Conceito de análise espectral, harmônicas e séries de Fourier. Critério de Nyquist. O que é resolução temporal do CAD.
  3. Resolução ou precisão de medida. Relação entre o número de bits (comprimento da memória digital) e a precisão em volts. Parâmetros típicos de resolução temporal (amostragem) e precisão em CADs de aplicação biológica. Faixas típicas de alguns sinais biológicos. Conversão simultânes de vários canais. O que é um multiplexador e como opera.
  4. Exemplos de sistemas de processamento digital de sinais biológicos. O monitoramento de sinais (cirúrgico, UTI, em exames especializados como angiocoronariografia). Como funciona um monitor cardíaco. A detecção automática do complexo QRS utilizando a derivada. Como se computa numéricamente a derivada. Efeito do ruído. Como se diminui o ruído. O que é um filtro digital.
  5. Outros sistemas de processamento digital: topógrafo de EEG digital, sistemas de potencial evocado. Sistemas de estudo diagnóstico especializado (exemplo: Holter). Eletromagnetoencefalógrafo. Telemetria: envio de sinais digitalidos por via de telecomunicações. Aplicações práticas. Telemedicina. Acoplamento de sistema de processamento digital de sinais ao registro médico.

IV. Processamento Digital de Imagens Médicas

  1. O que é uma imagem: sinais bidimensionais. Re-presentação de uma imagem em uma tela de vídeo. Modulação em amplitude do sinal de vídeo: luminância.
  2. Digitalização de imagens. O conversor A/D aplicado à imagem. Resolução temporal (horizontal e vertical). O que é o pixel. Matrizes de pixels. Precisão (níveis de cinza). Exemplos de parâmetros de digitalização para alguns equipamentos biomédicos. Exibição de videos em cores: valores de crominância. Matrizes de pixels RGB.
  3. Algoritmos básicos para processamento matemático de imagens. Exemplo de obtenção de um negativo. Exemplo de intensificação ou contraste de uma imagem. Representação em matrizes. O histograma de cinzas. Exemplo de uma limiarização para extrair o tecido ósseo.
  4. Modalidades de sistemas de imagens medicas. Radiografia digital: como é obtida. Radiografia sem filme fotográfico. Sistema de angiografia digital por subtração. Como funciona a operação de subtração. Aplicação prática. Sistema de densitometria óssea. Como funciona. Algoritmo de medida de área e densidade. Aplicação prática. Falsa cor: como obtê-la. Aplicações médicas de visualização em falsa cor. Detecção de bordas: o uso da derivada espacial. Representação em forma de curva de luminância. Resultado e aplicação prática.
  5. Tomografia axial computadorizada. Como funciona o tomógrafo de raios-X (CT). O algoritmo de retroprojeção para reconstrução bidimensional. Reconstrução tridimensional: o voxel. Aplicações práticas (exemplo: cirurgia plástica). Outros tomógrafos: MRI, SPECT, PET. Cintilografia digital: como funciona a câmara gama. Aplicações práticas da imagem funcional. Imagens gatilhadas do coração em Medicina Nuclear.
  6. Outras modalidades: ultrassom, ultrassom Doppler, termografia. Aplicações.
  7. Sistemas PACS (Picture Archiving and Communication Systems) e suas aplicações nos sistemas de informação hospitalar. Como obter imagens e digitalizá-las no microcomputador. Placas de aquisição de vídeo. Como transmitir. Compressão de sinais e i-magens para transmissão.

V. Aplicações no Laboratório Clínico

  1. Porque a informática é util no laboratório. Justificativas de utilização: aumento no número e diversidade de exames, uso maior de exames laboratoriais pela medicina, grande volume de dados, equipamentos que podem ser conectados a computadores.
  2. Tipos de laboratórios: química clínica, anatomia patológica/citologia, patologia cirúrgica, hematologia, microbiologia e parasitologia clínica, imunologia clínica, banco de sangue, laboratórios especializados. Dados comparativos quanto à dificuldade de informatização.
  3. Aplicações principais do computador no laboratório. O ciclo de processamento laboratorial. Ciclo extralaboratório e ciclo intralaborátório. Onde entra a Informática. Sistemas integrados de informatização laboratorial. Integração com os sistemas de informática hospitalar. Uso de redes de computadores e correio eletrônico para o envio de resultados.
  4. Vantagens e benefícios na informatização de laboratórios.

VI. Sistemas de Apoio à Decisão Médica

  1. O que é decisão médica. Tipos de decisão que ocorrem no processo médico: interpretação e análise, diagnóstico, conduta terapêutica, prognóstico, seleção, planejamento, descoberta (indução).
  2. Operações cognitivas durante a atenção médica curativa (processo hipotético-dedutivo). O que é indução, dedução, abdução e reconhecimento de padrões. Exemplos de sua operação durante o processo médico. O processo hipotético-dedutivo (esquema)
  3. Inteligência Artificial e Engenharia do Conhecimento: definição e áreas de atuação. O que é heurística. O que são sistemas de apoio à decisão médica. Tipos de sistemas de apoio à decisão médica: de apoio indireto e direto. Dedutivos e indutivos:
  4. Exemplos de sistemas de consulta e crítica. Desenvolvimento histórico. O sistema MYCIN. O sistema ONCOCYN. O sistema GLAUCOMA. O sistema INTERNIST. Sistemas atuais e oferecidos comercialmente: QMR e ILIAD. Estrutura de um sistema especialista. Característica de um sistema especialista: independência de programa e dados. O mecanismo de inferência. O sistema de aquisição de dados. Linguagem natural (uso). Esquema do sistema MYCIN. Exemplo de uma regra e de um fato. Como é especificada a base de conhecimentos. Linguagens de desenvolvimento de sistemas simbólicos (LISP e PROLOG). Exemplo de um sistema de crítica: RECONSIDER. O que é um sistema "shell".
  5. Tecnologias de desenvolvimento de sistemas baseados em conhecimento:
  6. Utilização de sistemas de apoio à decisão na área médica. Aceitabilidade. Desempenho. Problemas éticos. Utilidade prática dos sistemas, seu uso no ensino médico.

VII. Aplicações em Terapia Médica

  1. Principais áreas de aplicação do computador na terapia médica. Visão geral. Evolução histórica recente, relacionamento com outras áreas de aplicação (diagnóstico e bancos de dados clínicos). Softwares de documentação e acompanhamento de terapias medicamentosas. Softwares de avaliação de riscos terapêuticos. Aplicações da Inteligência Artificial na decisão terapêutica (exemplo: sistema ONCOCIN).
  2. Acesso à informação terapêutica. Bancos de dados sobre medicamentos: on-line, CD-ROM. Exemplos: Micromedex, PDR (Physician's Desk Reference), AAHP, TOXLINE, etc. Livros eletrônicos on-line, em CD-ROM e portáteis (exemplo: SAM, Oxford Textbook of Medicine, Franklin). Informações para leigos (exemplo: Mayo Clinic CD-ROMs). Sistemas de gerenciamento de farmácias hospitalares. Perfil medicamentoso do paciente. Interações medicamentosas.
  3. Planejamento de intervenções terapêuticas: terapias de radiação física. Sistemas de planejamento de terapia de radiação. Simuladores. Planejamento bi e tridimensional. Sistemas de radiocirurgia estereotáctica funcional. Integração com sistemas de planejamento de imagens.
  4. Planejamento e documentação de cirurgias. Programas de reconstrução tridimensional e CAD em cirurgia plástica e ortopédica. Programas de simulação de cirurgias. Aplicação de técnicas de manufatura assistida por computador (CAM) na confecção de próteses ósseas, dentais e cosméticas. Uso de robôs e de técnicas de realidade virtual em cirurgias (exemplo: telepresença, telecirurgia).
  5. Sistemas de monitoração intra- e pós-cirúrgica. Sistemas de controle automático de equipamentos de anestesia e de suporte vital durante cirurgias. Sistemas de monitoração e de suporte vital em terapia intensiva. Equipamentos biomédicos de controle e intervenção inteligentes (respiradores, cardioversores, etc.). Problemas técnicos e éticos e sua solução.
  6. Uso de computadores na reabilitação de deficientes físicos e mentais. Sistemas de comunicação para surdos, mudos e cegos. Aparelhos de síntese vocal e leitura de textos. Interfaces de acesso a computadores para deficientes motores graves e para cegos. Sistemas para comunicação telefônica entre surdos-mudos. Aplicações em fonoaudiologia e fisioterapia. Sistemas de estimulação elétrica funcional para paralíticos. Logoterapia em deficientes cognitivos.
  7. Aplicações da Informática em biônica e próteses artificiais inteligentes. Sistemas implantáveis (marca-passos inteligentes de aplicação em cardiologia e neurofisiologia). Sensores integrados (químicos e mecânicos). Pâncreas e coração artificial: papel da Informática. Neuropróteses inteligentes (visuais, auditivas). Nanomecanismos e suas futuras aplicações em terapia médica.

VIII. Aplicações no Ensino Médico

  1. Desenvolvimento histórico da educação médica. Formação versus informação. O problema do grande crescimento exponencial do volume de informação e da velocidade de obsolescência. Conclusões do Colégio Americano de Faculdades de Medicina sobre o papel da Informática na educação médica. Situação atual no exterior e no país.
  2. As áreas de aplicação da Informática no ensino: CBE (Computer-Based Education) , CBM (Computer Based Management) , CAL (Computer Assisted Learning) e CAI (Computer Assisted Instruction) . O que é ensino assistido por computador: o livro como replicação barata do conhecimento, e o computador como replicação barata do diálogo professor-aluno. Vantagens para o ensino individualizado. Evidências a favor de sua eficiência e rapidez, Introdução de novas formas pedagógicas: multimeios (som, imagens, animação gráfica), diálogo condicional, simulação. Impacto do CAI na Medicina. O conceito de courseware. Breve história do CAI como tecnologia de ensino.
  3. Tipos de aplicações da Informática na Medicina. Características, vantagens e desvantagens e exemplos para cada tipo: treino-e-prática, avaliação somativa, avaliação formativa, tutoriais (ensino programado), modelagem e simulação. Aplicações híbridas
  4. Tutoriais eletrônicos. Características. Exemplos: Cyberlog, HeartLab, EKGLab. Sistemas de autoria: impacto de sua introdução. Exemplos de sistemas de autoria. O que é hipertexto. O WinHELP e como usá-lo para desenvolvimento de hipertextos. Funções comuns em um sistema de autoria.
  5. Modelagem e simulação. O que são modelos e simulação. Tipos de modelos e seu papel em ciência e educação médica. Tipos de simulações: gráficas, quantitativas e de resolução de problemas. Simulações fisiológicas: especificação de modelos em forma de gráficos e de equações, e sua simulação. Simulações estáticas e dinâmicas. Exemplos: mecânica cardiovascular estática e dinâmica. Controle de regulação da glicemia. Seu papel no ensino das ciências básicas e clínicas. Como introduzir no curso. Simulações clínicas. Motivação para usá-las no ensino médico (técnicas de resolução de problemas, treinamento prático, exemplificação de casos raros, teste de desempenho, etc.). Ensino médico voltado a casos. Características das simulações clínicas: no que consiste, objetivo, desvios condicionais, baseado em competências específicas, casos reais. Acoplamento com tutoriais (eletrônicos ou não), discussão de casos clínicos ao vivo, etc.). Exemplos de sistemas disponíveis: CBX, DiscoTest, etc. Características de um sistema de autoria para simulações (exemplo: MEDTEST).
  6. Aplicações avançadas da Informática na educação: Multimidia, CD-ROM e videodiscos. VD-I e CD-I. O que é e como estruturar uma estação de multimídia (placas de som e de vídeo, CD-ROM e videodisco). Sistemas de autoria de multimídia. Exemplos de aplicações (Slices of Life, Hyperbrain, Electric Cadaver). Ensino à distância através de redes (teledidática). Manequins e sistemas de simulação em Medicina (exemplos CPR/AMA, Sim-One, ResusciAnne e Anesthesia LinkTrainer). Aplicações da realidade virtual no ensino médico. Uso de Inteligência Artificial em CAI (ICAI).

IX. Aplicações em Pesquisa Médica, Epidemiologia e Bioestatística

  1. Aplicações na pesquisa biomédica:
  2. A pesquisa clínica: introdução aos seus princípios. Objetivos básicos. Tipos de pesquisas clínicas. Estudos prospectivos e retrospectivos. Ensaios clínicos randomizados. Metodologia de controle de fontes de erro. Grupos controle. Tipos de viés. Randomização. Estudos cegos e duplo-cegos. Estudos multicêntricos. Contribuições da Informática na organização e e-xecução de pesquisas clínicas.
  3. Análise estatística de dados. O modelo de dados. Pacotes estatísticos, de acordo com objetivo e portes. Exemplos de pacotes disponíveis (BMDP, SPSS, SAS, Stata, Statgraphics, Microstat, Epistat, Epi-Info, etc.). Componentes básicos de um pacote completo de processamento estatístico de dados. Fases de uma pesquisa a ser processada por computador:
  4. Aplicações em Epidemiologia. Coleta de dados de mortalidade e morbidade. Exemplos de sistemas regionais, nacionais e internacionais. Tabulação e análise de dados. Mapeamento temático. Modelagem e simulação.

X. Aplicações em Acesso à Informação em Saúde, Correio Eletrônico e Redes

  1. Fontes de informação em ciências da saúde. Fontes primárias, secundárias e terciárias. Porque são ncessárias em ciência. Exemplos (Index Medicus, NLM, Biological Abstracts, Chemical Abstracts, Current Contents). O que é indexação. Indexação livre (KWIC) versus indexação por thesaurus (exemplo: MeSH). Vantagens e desvantagens.
  2. A pesquisa bibliográfica e o processo de localização de fontes bibliográficas. Tipos: pesquisa retroativa e vigilância bibliográfica. Organização de dados bibliográficos (banco de referências, lista de citações). O acesso a fontes primárias
  3. Acesso computadorizado a fontes de informação em saúde. Sistemas on-line (exemplo: NLM, Medline). O que são redes de comunicação de dados. Rede de transmissão de pacotes, ligações ponto a ponto. Como funciona o modem. Redes acadêmicas (Internet e Bitnet). Como funcionam. Endereços de email. Exemplos de pesquisa bibliográfica on-line. Outros sistemas de acesso. Bancos on-line disponíveis no país.
  4. Sistemas off-line. Current Contents on Diskette. CD-ROM: o que é, como funciona, capacidade. Tipos de bases de dados bibliográficos: referências e texto completo. Exemplo: MEDLINE em CD-ROM. Características de operação, software de recuperação de informação. Outras fontes secubdárias disponíveis em CD-ROM. Textos completos em CD-ROM, Exemplo: Scientific American Medicine. Bases de dados farmacológicos e terapêuticos. Exemplo: Micromedex.
  5. Fontes primárias em forma eletrônica. Revistas e boletins distribuídos por rede. Correio eletrônico: o que é, como funciona. Assinaturas. Listas de discussão. Como efetuar pesquisa bibliográfica via rede (exemplo: BITNIS). Publicação de revistas em CD-ROM. Anais de congressos em CD-ROM. Outros recursos das redes eletronicas. Internet: FTP, Gopher, Veronica, Archie, WAIS, WWW. Repositórios. Desenvolvimento futuro das redes eletrônicas. Disponibilidade no país.

XI. Informática no Consultório, Clínica e Hospital

  1. Objetivos da informatização do consultório, clínica e hospital. Áreas de informatização: clínica, operacional e organizacional. Evolução histórica. Tendências atuais. Problemas principais e metodologia de implantação de sistemas de automação do consultório, clínica e hospital. Status no Brasil.
  2. Principais áreas de automatização dos consultórios e clínicas: controle de agendamento e recepção. Secretaria: emissão de laudos, atestados, e outros textos. Automação do cadastro de pacientes e do registro médico. Anamnese automatizada e sistemas de apoio à decisão. Sistemas integrados: definição, como funcionam, problemas de implantação. Programas genéricos e programas específicos por especialidade e/ou local de aplicação.
  3. Principais áreas de automatização do hospital. O que são sistemas de informação hospitalar (SIHs). A pirâmide de implantação. Principais áreas de aplicação: sistemas ambulatoriais, sistemas departamentais, sistemas corporativos. Controle de agendamento e recepção. Sistemas de internação (ATA - admissão, transferência e alta). SAME e a automação do cadastro e do registro médico. Sistemas laboratoriais. Sistemas administrativos e financeiros. Sistemas de gestão de farmácia e almoxarifado. Integração dos sistemas de imagens e sinais. Evolução histórica dos sistemas hospitalares. Principais sistemas desenvolvidos mundialmente. Como funciona um hospital integrado pela Informática. Tendências futuras.
  4. Metodologia de implantação de sistemas informatizados no laboratório, clínica e hospital. Fases de implantação: análise, projeto (PDI = Plano Diretor de Informática), seleção de software e hardware. Desenvolvimento de software próprio versus aquisição. Soluções de software disponíveis. Soluções de hardware disponíveis. Conectividade. Redes de área local e área ampla. Sistemas de comunicação de dados digitais. Problemas comumente encontrados na implantação. Características desejadas de um sistema.

Bibliografia

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  2. Möhr, J.R.; Protti, D.J.; Salamon, R. (Eds.) - Medical Informatics and Medical Education. Proceedings of the I IMIA International Conference. Amsterdam, North-Holland, 1989.
  3. Pagés, J.C.; Levy, A.H.; Grémy, F. & Anderson, J. (Eds.) - Meeting the challenge: Informatics and Medical Education. Amsterdam: North Holland, 1983
  4. Rodrigues, R.J. (Ed.) - A Informática e o Administrador Hospitalar. São Paulo: Pioneira, 1987.
  5. Sabbatini, R.M.E. - A microcomputer software laboratory for teaching informatics to medical students. In: O'Moore, R.; Bengtsson, S.; Bryant, J.R. & Bryden, J.S. (Eds.) - Medical Informatics Europe'90. Proceedings, Glasgow, Scotland. Berlin: Springer-Verlag, 6 pp. 416-421, 1990.
  6. Sabbatini, R.M.E. - An improved undergraduate curriculum for teaching Medical Informatics to medical and nursing students. In: Van Bemmel, J.H. & Zvárová, J. (Eds.) - Knowledge, Information and Medical Education. Amsterdam: North Holland, p. 67-78, 1991.
  7. Sabbatini, R.M.E.; Ilha, J.O.; Carvalho-Júnior, P.M. - A summer course for preparing educators in Medical Informatics. Proceed. World Congr. Med. Phys. Biomed. Engineer. Rio de Janeiro, August 1994
  8. Sabbatini, R.M.E. - O Microcomputador na Prática Clínica, São Paulo: Academia de Ciências de São Paulo, 1 edição (1983), 2 edição (1984), 3 edição (1986).
  9. Sabbatini, R.M.E. - Curso Prático de Microinformática para Usuários em Saúde. Campinas, SP: Dataquest Informática, 120 pp. 1 edição (1988), 2 edição (1989), 3 edição (1990), 4 edição (1991), 5 edição (1992), 6 edição (1993).
  10. Secretaria Especial de Informática (MCT) - Plano Setorial de Informática em Saúde. Brasília, DF: SEI/MCT, 1988.
  11. Shortliffe, E.H.; Perreault, L.E.; Wiederholt, G.; Fagan, L.M. - Medical Informatics. Computer Applications in Health Care. Addison-Wesley, Reading, Mass., USA, 1990.
  12. van Bemmel, J.H.; Zvárová, J. (Eds.) - Knowledge, Information and Medical Education. Proceedings of the II IMIA International Conference. Amsterdam, North-Holland, 1992.

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