Consultoria

Revista Informédica, 3(16), 19, 1995



Gostaria de saber se já é possível, em Informática, integrar em um único computador todas as aplicações e fontes de dados que um médico necessita no dia-a-dia de seu trabalho clínico, como, por exemplo, imagens médicas (sou ultrassonografista). Os sistemas para informatização de clínicas e hospitais que tenho visto, são muito deficientes nesse sentido, e o que acontece é que o computador acaba atrapalhando, pois ele não tem toda a informação que necessito. Dr. Biancamano Pellegrinetti (Campinas, SP).

A resposta definitiva ao problema de integração total de informações de apoio ao clínico já existe, cientifica e comercialmente, e se denomina Estação de Trabalho Médica (Medical Workstation, em inglês. Diversos hospitais americanos, europeus e japoneses já dispõe desse fantástico recurso, e algumas empresas de Informática Médica já estão começando a oferecer produtos nessa linha.

A Estação de Trabalho Médica é, segundo a definição do Dr. Charles Safran, especialista em Informática Médica do famoso Children's Hospital, de Boston, "um dispositivo que possibilita ao profissional de saúde acessar dados, funções e conhecimentos, mesmo que estejam dispersos em uma rede de computadores, de forma transparente, como se estivessem na mesma máquina". A forma de acesso é ditada pela tarefa médica a ser realizada, e não pela função de software, organização de dados ou localização, ou seja, sua operação é totalmente transparente para o usuário, mesmo que envolva dezenas de programas e bases de dados diferentes.

A Estação de Trabalho Médica pode integrar diversos tipos de informação:

As Estações de Trabalho Médicas surgiram muito recentemente, em virtude da queda de preço das chamadas estações gráficas de alto desempenho (computadores tipo RISC, Pentium ou Macintosh de alta velocidade e capacidade; tipicamente com monitores de vídeo de superresolução, memórias de 16 Mbytes ou mais, grande capacidade de disco, velocidades acima de 100 Mhz, etc.). O software operacional destes computadores é baseado em janelas (Windows ou equivalente) e multimidia, uso do mouse, etc. (o que em computação se chama de GUI, ou Graphical User Interface). A integração completa de fontes de dados é conseguida através de discos locais de grande capacidade, CD-ROMs, e, principalmente, pela integração às redes de área local e ampla, como a Internet, RENPAC, etc.

A Estação de Trabalho Médica foi projetada para ser usada diretamente pelo profissional de saúde, em seu dia-a-dia, e para proporcionar apoio direto à documentação e decisão médica. Existe uma dificuldade de implementação grande em uma organização clínica que já é computadorizada, total ou parcialmente, pois existem então numerosos softwares já em operação (informatização do hospital, equipamentos de laboratório clínico, aquisição de imagens e sinais biológicos, etc.). Assim, é problemático encontrar um programa integrador, que consiga reconhecer todos os formatos de bancos de dados, estabelecer comunicação com outros programas, etc. Por isso, é muito importante a adoção de padrões universais de intercâmbio de dados, tarefa essa que é regulamentada por organizações internacionais, como a ISO, mas que ainda não se completou em Medicina. Exemplos de padrões desse tipo são o Health Level 7 (HL-7) para bancos de dados, o DICOM, para imagens médicas, o SNOMED e o UMLS, para nomenclatura e codificação, etc.

No Brasil, uma instituição que vem perseguindo o ideal da Estação de Trabalho Médica é o Instituto do Coração da USP, em São Paulo, que começou com uma estação dedicada em Medicina Nuclear. Para saber mais detalhes, contacte o Dr. Umberto Tachinardi (Email: tachinardi@incor.usp.br).


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