Consultoria

Revista Informédica, 1(5), 20, 1993


Sou médico, tenho um AT 386 e modem interno e gostaria de saber o que é preciso para se ter acesso a BBS da área médica. (Dr. Vitório Luis Kemp, São Paulo, SP)
O rápido desenvolvimento das telecomunicações na última década, e a explosão no número de microcomputadores espalhados pelo mundo, possibilitaram o aparecimento de novos tipos de serviços de transmissão de dados e a formação de redes de computadores nas mais variadas formas. Esta nova área passou a ser chamada de telemática (telecomunica-ções + informática), e seu impacto começou a ser sentido no setor de Medicina e Saúde, apenas há alguns anos atrás. A queda nos custos de hardware, principalmente, possibilita que muitos médicos e outros profissionais de Saúde passem a ter acesso a um mundo inimaginável de informações, localizados em computadores no Brasil e no exterior: mais de 800 bancos de dados bibliográficos, informações científicas e tecnológicas; publicações eletrônicas, correio eletrônico, quadro de avisos computadorizados (BBS), e muitas outras mais. É uma autêntica revolução, com enormes vantagens, que muitos estão deixando passar desapercebida.

Para conectar um computador à linha telefônica é necessário utilizar um modem (que significa modulador-demodulador), o qual transforma as mensagens geradas pelo computador em sinais audíveis, que podem então ser carregados pela linha telefônica. A rede telefônica, evidentemente, pode transmitir sem degradação apenas quando a velocidade de transmissão não excede um certo valor. A velocidade de transmissão digital é medida pela unidade chamada baud (equivalente a 1 bit/segundo). As redes telefônicas brasileiras comuns, por exemplo, transmitem confortavelmente até cerca de 2.400 baud.

O uso das linhas telefônicas comuns pode ser feito de duas formas:

Uma diferença importante entre os dois tipos é que, se a ligação for interurbana, você precisará pagar DDD ou DDI na conexão ponto-a-ponto, ao passo que o serviço RENPAC dispõe de um número local na maioria das cidades brasileiras com mais de 100.000 habitantes.

Quantos aos BBS: é facílimo contatar um desses serviços, e também é fácil estabelecer um por conta própria (o requisito essencial é ter um micro com disco Winchester e um modem auto-resposta). Dezenas de CBBS já operam em território nacional, alguns deles com milhares de usuários, como é o caso do Sampa, e milhares mais em outros países. O enorme desenvolvimento das redes de computadores nos Estados Unidos, particularmente através de serviços privados, tipo Tymnet, Telenet, Compuserve, The Source, etc., e a facilidade de se estabelecer serviços de BBS levaram, inevitavelmente, ao aparecimento de serviços similares orientados para a área de saúde. Houve uma verdadeira explosão no número de BBSs dedicados à área (mais de 200 nos Estados Unidos !). Alguns deles, a julgar pelo nome, são devotados a alguma subespecialidade, tais como pessoas interessadas em neurofibromatose. Outros são gerais, como o Black Bag BBS.

Para se contatar um BBS, basta saber o seu número telefônico e as características de comunicação a serem selecionadas para o modem. Essas geralmente são apenas quatro: velocidade (em bauds), número de bits, paridade (sim/não) e número de stop bits. Isso é apresentado como uma seqüência, por exemplo, 1200, 8, N, 1, que significa 1200 bauds, 8 bits, sem paridade, 1 stop bit.

Pelo que sabemos, existem apenas dois BBS especializados na área de Saúde no Brasil (experimente, por exemplo, o Cotton-Net BBS, (0123) 292898, padrão 8,N,1) mas espera-se para breve a criação de vários, inclusive um que será operado pela IBM Brasil. Através do sistema de correio eletrônico da Embratel (STM-400), disponível para assinantes do serviço RENPAC, é possível, também, acessar-se a MedNet, oferecido pela Faculdade de Medicina de Uberaba para médicos, e que implementa uma série de serviços.


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