Consultoria

Revista Informédica, 1(4), 15, 1993


Estou interessado em adquirir uma unidade leitora de CD-ROM para o meu computador, juntamente com algumas publicações eletrônicas na área de saúde. Poderiam me dar mais indicações sobre como funciona um CD-ROM e o que existe de disponível ? (Reginaldo Costa, São Paulo, SP)
A introdução da Informática na Medicina está acelerando consideravelmente o processo de acúmulo de informações médicas. É cada vez mais fácil e mais rápido coletar e analisar dados, criar e publicar textos, e divulgá-los para o público consumidor de informação. Ao mesmo tempo, a tecnologia nos proporciona meios para agilizar o acesso à informação, e poder selecionar o que se deseja de modo o mais eficiente e rápido possível. Uma destas tecnologias, e que já está causando enorme impacto na Medicina, é o CD-ROM. Este é um pequeno disco de plástico metalizado, gravado com a mesma tecnologia do disco compacto (CD), mas com a diferença de armazenar textos, ilustrações e até vídeo, em forma digital. O termo ROM significa, em inglês, "Read Only Memory" (memória apenas de leitura), ou seja, o disco não pode ser gravado pelo próprio usuário, apenas lido. Para utilizar um CD-ROM com um microcomputador comum, basta adquirir uma unidade leitora, semelhante ao tocadiscos de música, mas que é acoplada diretamente ao micro por um cabo e uma interface eletrônica especial. A partir daí, um disco pode ser inserido e lido pelo software residente no computador (uma extensão do DOS, que é fornecida juntamente com a unidade leitora). Existem unidades internas (que podem ser encaixadas no console do seu micro) e externas, de diferentes velocidades e preços.

O CD-ROM tem enorme capacidade de armazenamento: o equivalente a 200 a 300 livros (cerca de 600 milhões de caracteres de texto). Por exemplo, a BIREME (Biblioteca Regional de Medicina, órgão da OPAS que representa a National Library of Medicine, dos EUA), edita um CD-ROM contendo o MEDLINE, que é a base de dados correspondente ao famoso Index Medicus, que contém as referências biblio-gráficas de revistas médicas de todo o mundo (com a diferença que inclui um resumo do trabalho). Um ano completo, com quase 400.000 referências cabe em apenas um disco ! Uma outra publicação da BIREME em CD-ROM é o LILACS, que é um índice semelhante ao MEDLINE, contendo somente a literatura médica latino-americana (acumulada).

Existe uma variedade enorme de publicações e bancos de dados disseminados na forma de CD-ROMs. Alguns exemplos: bancos de dados de medicamentos e substâncias tóxicas, projetos de pesquisa em andamento em oncologia, livros de texto para estudantes de Medicina (Oxford Medical Companion, Scientific American Medicine, etc.), referências bibliográficas especializadas (em Cardiologia, em Neurociências, em Farmacologia, etc.), bancos de imagens médicas para ensino, enciclopédias e livros de referência, e muito mais. Existem muitas editoras de livros e empresas se especializando no segmento de mercado proporcionado pelos CD-ROMs, como a Silver Platter.

No Brasil, a BIREME possue estrutura completa para edição de CD-ROMS, e pelo menos uma fábrica em condições de replicar as matrizes, a um preço muito baixo. Temos até alguns produtos feitos inteiramente no Brasil, como o LILACS, e um disco CD-ROM feito em colaboração com o Ministério de Saúde, que contém os dados completos de mais de 7 milhões de óbitos registrados no país, desde 1979.

A Medicina nunca mais será a mesma depois do CD-ROM. Se você quiser mais informações, inclusive catálogos de CD-ROMs, escreva para a Silver Platter, que é a maior distribuidora do mundo, ou procure a revista norte-americana "CD-ROM" nas boas livrarias de Informática.


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